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Vegetarianismo e afins.
- by Ana
Algo me diz que vou mexer num vespeiro falando disso, mas vamos lá.
Eu não sou vegetariana. Na verdade, adoro uma boa picanha e não tenho vergonha nenhuma de declarar isso. De fato, se você veio aqui para ver uma apologia ao vegetarianismo ou dicas de pratos verdes, veio ao lugar errado.
Eu tenho essa idéia de que qualquer dieta de restrição alimentar tem um tipo de efeito afastador do homem da natureza. Especialmente as dietas auto-impostas.
Deixa eu explicar.
Dietas com restrição alimentar envolvem planejamento. Você não pode comer no lugar X porque lá eles sempre servem carne e quase não tem uma proteína vegetal para complementar a refeição. A não ser que você não importe em ficar com um pouco de fome ou algum tipo de deficiência alimentar que cause sérios problemas de saúde, toda a sua alimentação tem que ser cuidadosamente controlada e planejada.
Todo esse controle já é complicado em uma grande cidade recheada de opções para comer. Agora imagina em um ambiente mais “rústico”. No lugar onde eu trabalho, por exemplo, alguém assim estaria com sérios problemas…
Nós evoluímos por milhares de anos como uma espécie onívora por um bom motivo: no meio do mato sobrevive melhor quem come de tudo.
Nesse sentido, uma dieta altamente controlada, que envolve planejamento e preparação, me parece muito mais artificial que simplesmente eu me permitir comer de tudo, somente buscando uma alimentação mais saudável.
Eu sei que muita gente vai dizer que não come carne por uma questão ética e tal. Eu respeito isso. Mas vejam bem, eu mesma tenho algumas restrições alimentares por questões de saúde e carne é uma das rarissimias fontes de proteína animal que me restaram. Eu não sou uma pessoa tão boa assim para ter problemas de saúde por ética. Eu já tenho problemas de saúde suficientes sem levar isso em conta.
Mas se você é adepto de buscar um modo de vida mais primitivista, mais próximo do que éramos antes da civilização, ou se tem intenções de morar em um lugar ermo e viver “do que a terra dá”, acho melhor começar a diversificar sua alimentação, porque na natureza você come o que estiver na mão.
Doses homeopáticas de felicidade
- by Ana
Sempre fomos educados a buscar a Felicidade. Essa mesma, com letra maiúscula. A Felicidade de contos de fadas e filmes, a Felicidade do “Felizes para sempre…”.
Nessa concepção, ser feliz é como ganhar na loteria, para poucos afortunados que realizaram todos os seus sonhos. E para o restante de nós, resta procurar. Procurar, procurar, procurar e esperar um dia achar essa grande Felicidade de que todos falam e poucos têm.
Contos de fadas são para poucos…
Seja o casamento perfeito, ganhar na loteria, viajar pelo mundo, parece que colocamos nossas esperanças de encontrar essa Felicidade em coisas muito específicas e, caso falhemos em consegui-las, toda a nossa chance de ser Feliz será um fracasso.
Mas a cada dia me convenço mais que a felicidade do dia-a-dia, das pequenas coisas, dos pequenos prazeres, essa é que devemos buscar em cada momento das nossas vidas.
Encontro a felicidade em ver meus amigos, em abraçar minha filha, em beijar meu namorado. São coisas simples e aparentemente pequenas, mas que ao final de um dia se somam e tornam a vida algo bom de se viver.
Podem dizer que me contento com pouco ou até mesmo que sou covarde. Mas considero minha vida muito mais plena aproveitando dessas pequenas felicidades do que esperando por aquela Felicidade. Na verdade, acho que nem sequer preciso dela.
E você?
Teoria do Caos
- by Ana
Pode não parecer, mas esse post é para falar do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas. Ontem assisti a esse tão comentado filme e, como quase todo mundo, também tenho que dar minha opinião. Eu gostei muito do filme, ele foi bem filmado, bem estruturado e o clima é sombrio e sufocante, como um bom filme do homem-morcego deve ser. Mas o Batman em si não foi grande coisa.
É verdade, tinha uma mancha escura que cruzava a tela eventualmente. Ela deveria ser o personagem principal, mas no contexto geral, não passou de mais que uma mancha na tela.
A estrela do filme é o Coringa.
Finalmente eu vi no cinema um Coringa que me convenceu. Dizem por ai que ele é perturbador, insano, demente. Mas eu gostei muito mais que de qualquer outro.
“Você não achou ele perturbador?” me perguntaram ontem. Com esse questionamento no ar comecei a pensar o que realmente tinha achado desse personagem tão único. Minha resposta foi “Não”. “Mas ele é louco!”. “Sim, ele é louco, mas sempre existe um pouco de razão na loucura”.
Aceita meu cartão?
Para mim, o Coringa é o vilão certo para Gothan. A frase mais elucidativa do filme foi “Gothan precisa de vilões melhores”, e ninguém é mais adequado a essa cidade decadente, suja, sombria e desumana que aquele cara de rosto pintado. Pois sendo ainda mais decadente, sujo, sombrio e desumano que a cidade, ele contribui para que ela, ao menos, tente ser melhor.
Para mim, o Coringa é um tipo de vórtice. Ele atrai para si toda a insanidade e violência e as mantém orbitando ao seu redor. Um agente do Caos, ele é um teste à sanidade dos moradores, levando-os a extremos que mostram sua real natureza. Ele consegue revelar o melhor e o pior de cada um.
O Coringa é um mal, não há duvida disso. Mas chego a questionar se não seria um mal necessário. Em sua cruzada para trazer a insanidade a Gothan, ele revela o lado humano dessa cidade, que existe em lugares inimagináveis. Talvez sem ele, Gothan seria um lugar ainda pior…
Passageiros
- by Ana
Tenho essa convicção que existem pessoas que passam na sua vida por um único e imenso motivo, esculhambam tudo, viram sua vida de pernas pro ar, depois somem, adeus, até mais ver.
Nem sempre essa “presença” é boa. Existem passageiros que podem te fazer sofrer muito e até casos extremos de violência momentânea que deixam tudo diferente e podem até mesmo fazer a vida perder o sentido.
Mas existem passageiros que, com uma única frase, podem te fazer repensar toda uma vida. Ou que passam em sua vida como um furacão e deixam para trás presentes preciosos. Nem sempre a ruptura com esses passageiros é tranquila, muitas vezes pode vir de brigas e conflitos que magoam e deixam sequelas, mas ela foi importante e mesmo se arrependendo de muita coisa, faria tudo novamente. Por causa do presente.
Sempre penso isso quando olho para minha filha. Seu pai foi um passageiro em minha vida, entrou de maneira inesperada, mudou tudo, foi embora abruptamente e hoje é praticamente inexistente em nossas vidas. Mas ele me deu Sofia, o maior presente de todos.
Considero esses encontros casuais muito interessantes e que podem enriquecer absurdamente uma vida. Um amigo temporário que vem te dizer exatamente o que você precisava escutar. Uma companhia agradável para um momento ruim. Um auxílio numa hora de necessidade.
Alguns passageiros marcam muito, seus nomes ficam gravados na memória para sempre. Outros, mal lembramos o rosto. Mas todos eles ajudaram a moldar o que sou hoje e a todos agradeço de alguma forma.

