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Meus dias de clausura
- by Ana
Hoje terminei meu artigo (a primeira versão) de revisão para a qualificação do doutorado. Ai zizus, como foi difícil.
Pra mim nunca foi MUITO difícil escrever. Depois da idéia formulada na mente, as palavras fluem naturalmente. Foi minha melhor prova no vestibular, afinal. Mas ESSE artigo foi tão, tão, tão… doído pra ser feito, que depois dessas 2 semanas trabalhando direto nele me sinto exausta.
Mas tá feito, e isso que importa. E aparentemente nem ficou tão ruim assim, dá pra entender o que eu quero dizer e tudo mais.
No final, foi um bom teste pra tese, que terá que ser elaborada, redigida e formatada até junho do ano que vem. E que o céu não caia sobre minha cabeça, apesar dele parecer mais próximo a cada dia…
Senti nesses dias o amargo gosto de tirar férias pra trabalhar. A única coisa diferente que eu fiz foi ir pra Sampa no EIRPG e no encontro de Blogs de RPG que rolou, e foi bem divertido. Mas fora isso, foi trabalho, trabalho, trabalho.
Agora tenho mais 2 dias de férias, mas nenhum tostão para passear. Eita mundo.
E ainda tem a família, né? Sabe aquele monte de gente que adora te dar problemas e te enche de preocupação? Pois é, a minha é igualzinha. Mais um ponto pro estresse.
Hoje vou dormir cedo, amanhã durmo até tarde. Pelo menos dois dias de total ócio eu vou ter. Quem sabe eu leia alguma coisa da pilha de livros que vem se acumulando na minha prateleira a meses. Quem sabe costurar, isso sempre me diverte (é, eu sou bizarra). Beber cerveja com os amigos já tá combinado.
É, minhas férias serão curtas, mas podem ser boas.
Passageiros
- by Ana
Tenho essa convicção que existem pessoas que passam na sua vida por um único e imenso motivo, esculhambam tudo, viram sua vida de pernas pro ar, depois somem, adeus, até mais ver.
Nem sempre essa “presença” é boa. Existem passageiros que podem te fazer sofrer muito e até casos extremos de violência momentânea que deixam tudo diferente e podem até mesmo fazer a vida perder o sentido.
Mas existem passageiros que, com uma única frase, podem te fazer repensar toda uma vida. Ou que passam em sua vida como um furacão e deixam para trás presentes preciosos. Nem sempre a ruptura com esses passageiros é tranquila, muitas vezes pode vir de brigas e conflitos que magoam e deixam sequelas, mas ela foi importante e mesmo se arrependendo de muita coisa, faria tudo novamente. Por causa do presente.
Sempre penso isso quando olho para minha filha. Seu pai foi um passageiro em minha vida, entrou de maneira inesperada, mudou tudo, foi embora abruptamente e hoje é praticamente inexistente em nossas vidas. Mas ele me deu Sofia, o maior presente de todos.
Considero esses encontros casuais muito interessantes e que podem enriquecer absurdamente uma vida. Um amigo temporário que vem te dizer exatamente o que você precisava escutar. Uma companhia agradável para um momento ruim. Um auxílio numa hora de necessidade.
Alguns passageiros marcam muito, seus nomes ficam gravados na memória para sempre. Outros, mal lembramos o rosto. Mas todos eles ajudaram a moldar o que sou hoje e a todos agradeço de alguma forma.
Tiaaaaaaaaa
- by Ana
Hoje é um dia feliz. Noite passada nasceu Aline, filha de grandes amigos meus, tudo correu bem, como deve ser.
Hoje o post que vou escrever é para ela.
Ser mãe é muito bom. É um grande conjunto de emoções fortes e conflitantes, um prazer e um terror indescritível. Aquela criaturinha com cara de joelho passa a ser o centro do mundo, a razão de tudo existir e acontecer. Em resumo, a coisa mais linda e perfeita do universo.
Mas existe um outro tipo de laço que é também prazeiroso, divertido e sem o medo e a responsabilidade de criar e educar. Nao, eu não estou falando de ser vó. Vó estraga, tira os limites, deixa fazer tudo. Deve ser bom demais, mas ainda não cheguei lá (e nao quero chegar tão cedo). Estou falando de ser tia.
Tia no bom sentido da palavra. Nada daquela de “ficar pra tia”, ou “tio me dá uma sukita”. Estou falando de tia de verdade, daquelas que leva a criançada pra andar de bicicleta, tomar sorvete, ir no cinema, paga lanche no mac e depois larga pros pais limparem e porem pra dormir. O melhor tipo de tia.
Eu tenho dois sobrinhos de verdade. De verdade porque nasceram da mulher do meu irmão (ex-mulher atualmente). Tem algum laço de sangue envolvido.
Sobrinhos são aquelas pessoinhas que você pode tentar moldar a sua imagem e semelhança sem remorso. Fazer isso com filho é meio sacanagem, tira a “individualidade” da criança e todo esse papo psicopedagógico moderno. Mas com sobrinho tá liberado, pode tentar a vontade. O problema é que é dificil de conseguir.
Eu tentei tornar meus sobrinhos nerds-leitores-compulsivos-jogadores-de-rpg-bizarros como eu. Mas não adiantou nadinha, eles continuaram a ser pessoas normais. Mas eu me diverti tentando. Dava livros, quadrinhos, levava para assistir Harry Potter, esse tipo de coisa. Algumas coisas eles curtiam, outras (como os livros) eles deixaram de lado. É a vida.
Já que meus sobrinhos estão grandes (de idade), começamos a esperar que os amigos tenham filhos pra gente chamar de sobrinho e estragar. Meus amigos são meio devagar, eles preferem ser os tios, pelo jeito. Mas aos poucos vai aumentar o rol de sobrinhos adotados e vou voltar a me divertir.
Já estou decidindo qual quadrinho Aline vai ganhar primeiro de mim. Vai ter que ser um acordo com o pai da menina, que é tão ou mais nerd que eu e já deve ter até decidido qual livro do Tolkien é mais adequado para cada idade.
Ohohohohohoh…
Vai ser tão divertido…