Month: setembro 2008
Quando fui morar sozinha
- by Ana
Ainda me lembro, a anos atrás, quando decidi morar sozinha. Minha mãe resolveu vender a casa onde morávamos desde que que nasci e ir para um apartamento, mais prático e seguro.Ela e meu padrasto escolheram o imóvel a dedo e capricharam na decoração e, naquele ambiente requintado e organizado, eu e minha gata nos tornamos persona non grata.
Foi com mais que boas intenções que meu padrasto ofereceu seu apartamento vago para eu morar. Era um apartamento de dois quartos, mais que suficiente para mim e minha fiel siamesa vivermos confortavelmente e, o melhor de tudo, ficava ao lado da universidade, onde eu estudava no período.
Assim, fui de mala, cuia e gato para uma nova vida cujos horários seriam determinados por mim (tirando os horários das aulas, claro), vivendo de bolsa e da bondade de estranhos (opa, nem tanto, conheço minha mãe muito bem).
Ganhei alguns móveis que ninguém queria, toalhas e roupa de cama eu já tinha alguma coisa e ganhei também o que ninguém queria, e coisas de cozinha e limpeza eu deliberadamente afanei da casa da minha mãe. Tava montado o apêzinho.
Et… telefone… minha casa…
Mas nem tudo é alegria no reino da independência. Eu era bolsista CAPES na época, praticamente uma morta de fome e ainda dependia muito de ajuda financeira da mamãe para viver e pagar as contas. Muito mesmo. Mas como eu fui morar sozinha porque ela quis, ela não reclamava em ter que me sustentar a distância. Quase como ter filho estudando em outra cidade, mas na verdade eu estava no outro bairro.
Além disso, sempre tem o dilema da comida.
Sabe quando você chega em casa tarde, depois de um dia daqueles, verde de fome e pronta pra detonar aquele prato de estivador? Então, são nessas horas que você lembra que quem faz as compras é você e quando abre a geladeira lembra que a comida não aparece magicamente. E tudo que você acha é uma garrafa de coca cheia de água, um pote de margarina e uma maçã meio podre. O jeito é colocar o tênis denovo e torcer para o mercado ainda estar aberto.
Oh shit!!!
Mas depois de um tempo você aprende. Já se programa para passar no mercado no caminho de casa, começa a fazer listas de supermercado, aprende a pesquisar preços para a grana durar mais. Vai virando uma dona de casa.
Depois de tantos anos morando sozinha, as coisas acontecem naturalmente. O cotidiano é verificar periodicamente se o papel higiênico não está acabando (essa é outra surpresa desagradável, o papel higiênico também não aparece magicamente no armário) e manter a geladeira minimamente abastecida. Agora que tenho filho, essa rotina faz parte do meu ser.
A única coisa que eu não faço é passar roupa, de resto, posso dizer que sobrevivo muito bem. E você, que começou a morar sozinho agora, não se apavore, uma hora essas coisas também vão virar naturais para você. Em caso contrário, você sempre pode ir jantar na casa da mamãe…
Não há nada como o colo da mamãe!


