Month: março 2008

Sobre o tempo, nosso carrasco.

 - by Ana

Fiquei mais velha.

Claro, ficamos mais velhos a cada segundo, mas insistimos em estipular uma data para que tomemos consciência disso. Afinal, pensar no tempo passando todo o tempo acaba enlouquecendo.

Pois bem, a minha data passou sexta passada. Fui muito cumprimentada, me desejaram felicidades, ganhei presentes e me diverti com alguns amigos. Aniversário sempre é bom. Mesmo que se esteja ficando mais velha.

Essas datas fazem você se lembrar do tempo. Talvez inferno astral seja isso: lembrar que o tempo existe e passa. Bem rápido. Rápido demais, ultimamente.

Einstein já nos mostrou que o tempo é relativo. Como uma equação matemática e uma teoria complicada, nos mostrou que ele passa diferente em determinadas situações. Eu comprovo essa teoria todos os dias, mas sem equações e em situações cotidianas. Todos sabem que quando está tudo bem, você está com pessoas que gosta, fazendo coisas agradáveis e se divertindo, o tempo simplesmente passa num piscar de olhos. Também sabem que quando as coisas vão mal ou você tem que aguentar algo chato ou quer ir pra casa logo e tem que esperar a hora passar para sair do trabalho, ela insiste em se arrastar lentamente, cada minuto ocupando uma pequena eternidade.

Também sabemos que a velocidade com que o tempo passa é diretamente proporcional ao fim do prazo para algum trabalho ou projeto a ser entregue. E inversamente proporcional a a habilidade do seu time em manter o placar favorável.

Essas coisas estranhas sobre o tempo.

Pensamos nele o tempo todo, direta ou indiretamente. Mas só sentimos na pele o passar dos anos no dia do seu aniversário.

Ai você percebe que ganhou rugas, perdeu o pique que tinha antes e é cada vez mais difícil emagrecer. Coisas que o tempo faz com as mulheres.

Mas coincidentemente, o dia antes do seu aniversário demora muito a passar. Como um rufar de tambores antes do salto mortal, a véspera se arrasta eternamente, tentando adiar o grande dia. O dia em que você fica mais velha.

Valores e preferências

 - by Ana

É interessante como cada pessoa tem uma noção bem própria de valores, tanto de coisas materiais como de ações e pensamentos.

Percebi isso essa semana. Com a nova estação chegando e eu alguns quilos mais magra (YES!!!), estou precisando mesmo comprar roupas novas. Mas meu lado judeu chia alto quando penso nos preços que as roupas estão esses dias e fico adianto o inevitável. Além disso tem a velha perrenga de ter que experimentar a roupa, coisa que ODEIO fazer.

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 Assim é mais fácil experimentar roupas.

Ao mesmo tempo, é bem fácil para mim ir numa livraria e desembolsar uma grana num livro que eu queira. Claro que o sangue judeu ainda ferve e penso algumas vezes, mas no final seu normalmente acabo levando. E adiando ainda mais a compra de roupas.

É uma questão de valores, para mim um livro vale muito mais que uma peça de roupa e me é bem mais prazeroso gastar meu rico dinheirinho neles. Ok, eventualmente eu lembro que sou uma menina e vou me esbaldar investindo em artigos da ultima moda, mas prazer mesmo eu sinto é dentro de uma livraria.

Eu mesma conheço gente que tem um prazer quase sexual em olhar vitrines e comprar sacolas e sacolas de roupas e acessórios. Gasta o que não tem naquele casaco ma-ra-vi-lho-so (?) e é capaz de nunca ter entrado numa livraria por motivação própria. Provavelmente todos os livros novos que possui ganhou de alguém como eu.

Engraçada essa diversidade de comportamentos e preferências. Adoro isso.

Ainda bem que o Tiago partilha essa alegria em livros comigo e uma livraria é o equivalente para nós a um playground. Seria triste ter que arrastar um namorado carrancudo livraria adentro. Já não basta eu ter que arrastar uma filha carrancuda…

Uma bela escorregada

 - by Ana

Quem me conhece tem uma boas noção do que é uma pessoa que se machuca fácil. Eu deveria andar por ai com um adesivo “frágil” colado na testa. E um “este lado para cima”  só para garantir.

Eventualmente eu trabalho num lugar chamado APA de Guaraqueçaba. É uma unidade de conservação federal no litoral do Paraná que apesar de estar a 180 kilômetros de Curitiba, na prática está a 1 dia de viagem. Não se enganem pelo mapa ,crianças, aquela rodovia estadual que vai até a entrada da cidade é na verdade uma estradinha de terra bem mulambenta (pra ser gentil).

Pois estava eu lá essa semana trabalhando. Depois de passar o dia inteiro de casa quilombola em casa quilombola  fazendo vistorias com a COPEL (companhia de luz do Paraná ou algo assim),  caminhando das 9 da manhã até as 17 horas com bota sete-léguas, atravesando rios em pinguelinhas bambas, andando no meio do mato e me divertindo muito (isso foi ironia), voltei para o escritório sacolejando pela estradinha. E, depois de um dia todo de aventuras, quando fui estacionar o carro na garagem, escorreguei na escada e torci o pé.

Parece até piada, mas é acidente de trabalho.

Murphy é tão foda que até em Guaraqueçaba é forte.

Pois então, depois de encarar 2,5 horas de barco mais 1,5 hora de ônibus, consegui chegar em Curitiba e agora estou me preparando psicológicamente para ir ao hospital tirar uma radiografia e ver o estrago. Porque ainda dói e ainda ando que nem uma pernetinha, mancando pela casa. E bem hoje, que eu tenho que encarar o busão pra ir no médico, não para de chover. Tá um dilúvio lá fora. Vai ser legal a nova experiência de mancar na chuva.

Só espero não voltar pra casa com gesso.

Profissionalismo

 - by Ana

Esses dias eu e Tiago estávamos conversando sobre como pessoas inteligentes são raras. Pessoas com quem se pode manter uma conversação e entendem referências, esse tipo de coisa.

Mas tem um tipo de pessoa ainda mais rara que a inteligente: o bom profissional.

Entenda-se por bom profissional aquele que cumpre prazos, não deixa o cliente na mão, atende as ligações e faz o trabalho bem feito.

Esse tipo de pessoa é, provavelmente, a espécie em estágio mais avançado de extinção que existe.

Vejo isso no meu dia-a-dia. Eu faço dança e algumas vezes por ano nos apresentamos num teatro, todas as alunas, bonitinhas  e maquiadas, dançando nossas coreografias ensaiadas e tudo mais. Acontece que um fotógrafo é sempre contratado para registrar esse momento tão feliz e a anos vem sendo o mesmo cara.

Ele nunca foi um primor de responsabilidade e qualidade de trabalho. Tem a mania irritante de filmar nossas cabeças, nossos pés, de colocar efeitos abomináveis na ediçao do vídeo, mas ainda era aceitável.

Mas na ultima apresentação ele passou dos limites. Para ter uma idéia do drama, a apresentação foi em outubro do ano passado e até agora ninguém viu a cor das fotos ou do vídeo. Nem para levar alguns copiões ele teve a descência de se mexer.

Resultado: perdeu o cliente. Na próxima apresentação, outra pessoa será contratada como fotógrafo. Ele nunca mais terá possibilidade de trabalhar com esse grupo novamente e perderá credibilidade no mercado, porque a propaganda boca-a-boca faz diferença sim e a dele está de mal a pior.

Me diga se é assim tão difícil para alguém manter um mínimo de profissionalismo? Seria mesmo tão difícil para ele preparar as amostras de fotos e de vídeo e levar para as alunas verem? Ele tem mercado garantido, todas compram pelo menos algumas fotos. então porque esse descaso?

Não sei, mas tenho algumas teorias.

Falta de responsabilidade: isso é algo que se aprende. E se aprende na tenra infância, não depois de adulto. Se sua mãe/pai não te ensinou a manter seus compromissos, dificilmente você vai se tocar da importância disso depois de velho.

Preguiça: aquela pessoa que deixa TUDO pra depois, até mesmo o que não deveria. Normalmente vem acompanhado de alguma estabilidade financeira ou de clientela. Você acha que tá garantido e começa a tratar todos com descaso.

Compromissos demais: não consegue dizer não? Acaba assumindo mais compromissos que uma pessoa pode fazer numa vida? Mal negócio, alguém ai vai ficar de lado, e esse alguém vai ficar muito bravo.

Esses são somente alguns pontos que podem levar a uma falta de profissionalismo. Tem gente que consegue acumular todos eles e mais alguns…

As vezes, o principal problema do mal profissional é a falta de respeito mesmo. Tem gente que se acha tão superior que parece que está fazendo um favor ao cliente quando realiza um trabalho para o qual está sendo PAGO. Meu caro, a não ser que você seja muito bom no que faz (o melhor, na verdade), um comportamento desse tipo só leva ao fracasso. Tanto profissional quanto pessoal, porque ninguém aguenta gente mala.

Dancem macacos dancem

 - by Ana

Falar mal de si mesmo é um bom sinal. Pelo menos na maioria das vezes. Mas também tem seu lado ruim. Falar mal de si mesmo pode ser o primeiro sinal da decadência moral e, porque não, biológica.

Eu adoro textos e vídeos de críticas. Especialmente à espécie humana. Como bióloga e vinculada a um órgao responsável pela preservação da biodiversidade brasileira, vejo barbaridades serem cometidas todos os dias em nome do progresso.

Talvez o maior sinal de que somos diferentes dos outros animais é que nenhum deles caga na própria água ou destrói as fontes de alimento como nós. Isso é uma exclusividade nossa. A maioria deles vive em harmonia com o ambiente a sua volta, sobrevive, deixa descendentes, esse tipo de coisa. Os que não fazem isso e tentar burlar as regras, têm todos o mesmo destino: extinção.

Sem querer ser alarmista ou coisa do tipo, estamos cada vez mais perto desse caminho. E você espertinho, que vai falar que estamos ai a um tempão e até agora não aconteceu nada, lembre-se que a vida na Terra tem 4,5 bilhões de anos e só a cerca de 15 mil anos resolvemos mudar as regras do jogo e tomar conta do pedaço. Ou seja, somos um piscar de olhos na história natural do planeta e NAO estamos ai a um tempão.

Então o que pensar quando vejo cada vez mais gente falando mal da espécie humana?

Acho bom, pode ajudar a cairmos na realidade e tentar alternativas.

Mas também acho ruim. Essas mesmas pessoas que criticam a espécie são membros dela. Agem como todos os outros. Se preocupam com coisas idiotas e esquecem de viver. E quanto mais gente falar mal, maior o sinal de que a espécie como um todo chegou a um nível de decrepitude que não tem mais volta. Cansou. Deu pro gasto. Vamos derrubar e fazer outro.

Mas, não é por esse motivo que vou deixar de assistir e rir com vídeos como esse.