Ninguém me ajuda…
- by Ana
Ontem, um belo domingo de chuva, eu e Tiago fizemos algo raro, assistimos televisão. Como eu não tenho TV a cabo e a TV aberta é uma porcaria constante, é bem difícil pararmos na frente da TV sem ser para assistirmos um filme. Mas ontem deu vontade de parecer com a massa, então assistimos as coisas mais ralé possíveis, incluindo o Gugu.
Entre uma choradeira e outra (povo adora choradeira, que coisa) vemos a história de uma mãe que a 30 anos não via a filha. Quando indagada se nesse período tinha procurado por ela de alguma forma, eis a pérola de resposta: “nunca procurei, não tive oportunidade nem nunca teve ninguém pra me ajudar”.
Como assim? Quer dizer que a culpa por ela nunca mais ter visto a filha é dos outros? Porque ninguém quis ajudar? Ela não tem capacidade de fazer isso sozinha?
Mas heim???
Tiago então soltou um comentário bem pertinente: isso é bem coisa de brasileiro, em especial de pobre. Se não tem ajuda externa, nunca faz nada, nunca sai da merda. Eu sei que essa afirmação pode parecer MUITO preconceituosa, mas se não tivesse algo de verdadeiro, as bolsa-esmola do governo não fariam tanto sucesso. todo mundo quer uma “ajudinha”, um “empurrãozinho” para ajudar a viver. O problema é que essa ajudinha, que deveria ser temporária, acaba sempre por se tornar eterna e a pessoa não sabe mais viver sem ela.
Esse assistencialismo é um tipo de vício. Primeiro você diminui a carga de impostos dos “necessitados”, até ela ser praticamente zero. Depois dá cesta-básica para “incrementar” a dieta da família e depois paga uma grana pra quem não ganha nada para poder viver. Com tantas regalias, ser pobre é mais fácil e prático que ser trabalhador. Com nosso jeitinho brasileiro, o resultado é até fácil de prever.
Eu fico indignada com isso por dois grandes motivos:
1 – você tapa o sol com a peneira e não resolve o real problema do país, que é não ter oportunidades para todos viverem decentemente. ao invés de dar emprego a todos (que demanda uma reestruturação da sociedade), dá um troco todo mês e ninguém reclama mais disso.
2 – quem acaba pagando os impostos e a bolsa-esmola do pobre é a classe média, ou seja, eu.
A pobreza continua por ai não porque ninguém ajuda, mas porque ajudam demais e de maneira errada. Se acostumou o povo a esperar ajuda dos outros ao invés de tomar as rédeas da própria vida e ir à luta. É uma inversão de valores numa lógica insana.
Mas o pior de tudo é eu ter que pagar a conta.

