Mortos vivos, vivos mortos, whatever.

Janeiro 8th, 2008 | by Ana |

A coisa boa de fazerem adaptações de livros para o cinema é que você tem a oportunidade de finalmente comprar aquele clássico tão esperado e que tinha esgotado desde 1960. Com a onda de merchandising envolvendo o lançamento da película, muitos produtos são colocados no mercado, entre eles, a versão original da obra em que ele foi baseado.

Foi assim com Senhor dos Anéis. Quando eu tinha me conformado que nunca mais iria encontrar a trilogia, eles anunciam que vão fazer o filme e, agradável surpresa, lançam não somente os três volumes do épico (em diferentes edições para todos os gostos) como começaram a lançar quase tudo que o Tolkien já havia escrito. Uma festa só.

Qual não foi minha agradável surpresa quando, ao ir na livraria esse domingo, me deparo com a versão traduzida de Eu sou A Lenda do Richard Matheson. Esse cara, um ícone do gênero de Terror no século XX, tem uma extensa obra, sendo esse talvez seu conto mais famoso. Foi depois de lê-lo que o George Romero teve a idéia para o roteiro de Noite dos mortos vivos. Ele já teve duas adaptações para a telona, mas somente agora, que estão para lançar uma versão moderna com o Will Smith no papel principal, ele ficou acessível a mim.

O filme será lançado dia 18 próximo, mas eu já li o conto e algo me diz que não vão seguir exatamente a idéia do autor. Pra começar, Robert Neville é um quarentão loiro e alto, sem nenhum cão. Um pouco diferente do Will Smith. Mas não vamos conjecturar tanto antes do filme ser lançado…

O livro é uma obra-prima. O autor mantém o clima angustiante e claustrofóbico constantemente, deixando o leitor sem fôlego e inquieto. Ainda bem que é uma história curta, porque é impossível parar de lê-la depois que se começa. Ela é como um vírus que se infiltra em seu cérebro, fazendo você desejar saber o desenrolar das caçadas e da luta pela sobrevivência do nosso herói. Muitos poderiam considerar o desfecho previsível, mas se considerarmos que ele foi escrito em 1954 e foi pioneiro no gênero, para mim ele foi deliciosamente surpreendente e assustador.

Caso você ainda não saiba, é um conto sobre vampiros. O melhor de toda a história é o processo de pesquisa do personagem principal e suas descobertas sobre o vampirismo, tornando esse mal uma coisa mais plausível e realista do que se poderia desejar. Tudo muito possível. Possível demais…

O livro ainda conta com mais alguns contos curtos do autor, dos quais já li alguns e são igualmente perturbadores. Espero que lancem mais obras dele, independente do filme, pois vale a pena de verdade.

O autor  possui outras obras conhecidas e igualmente transformadas em filmes e seriados. Um dos episódios mais famosos de Além da Imaginação, Nightmare at 20,000 Feet (aquele do gremlin verde no avião) foi escrito por ele. Alguns foram transformados em filmes, como Amor além da Vida e Em Algum Lugar do Passado.

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Ei! Não é o super-homem?

Por isso sou totalmente a favor que continuem fazendo filmes de livros (e não livros de filmes). Só assim para conseguirmos versões traduzidas de obras importantes e temporariamente esquecidas pela nossa indústria literária. Que se torne comercial, pelo menos assim quem sabe mais gente leia nesse país.

  1. 2 Responses to “Mortos vivos, vivos mortos, whatever.”

  2. By phil souza on Jan 8, 2008 | Reply

    Quer ver uma coisa interessante? Por mais que eu leia blogs de todo gênero são sempre os de RPG que me fazem ficar preocupado por que vou ter muita coisa pra ler…

    Usamos muitas referências, adoramos isso até por que o RPG faz isso. Eu nunca consegui assistir além da fora alguns episódios, vou procurar ver se acho algum DVD ou coisa parecida…

  3. By phil souza on Jan 8, 2008 | Reply

    CORRIGINDO: “Eu nunca consegui assistir ALÉM DA IMAGINAÇÃO fora alguns episódios…”

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