Aventuras e desventuras
Dezembro 7th, 2007 | by Ana |Tem dias em que é melhor nem sair da cama. Ontem foi um desses dias, deveria ter ficado em casa, trancada, para ver se Murphy, o onipresente, esquecia minha existência no planeta. Mas o dever chama, e lá fui eu para o campo.
No meu doutorado, eu tenho que ir a cada15 dias para Vila Velha, um parque estadual do Paraná muito bonito, recolher o material de armadilhas para insetos que coloquei lá (é, eu trabalho com insetos. Abelhas, para ser mais exata). Independente do clima, eu tenho que recolher o material, senão ele começa a estragar, apodrecer e outras coisas nojentas que acontecem com pequenos animais mortos.
Eis que me agendo para ir ao campo ontem e fico feliz quando acordo e verifico que a chuva deu um tempo. Tava nublado, é claro, mas não tava chovendo. Arrumei minhas coisas, coloquei aquela calça roxa velha que já tá rosa de tanto ver mato e parti para a estrada. Dai começou a dar tudo errado.
No momento em que sai de Curitiba e entrei em Campo Largo começou a chover. Até ai tudo bem, uma chuva fraca não iria me atrapalhar e eu tinha levado minha capa de chuva. Mas no exato instante em passei pelo primeiro pedágio (tem 2 até Vila Velha) começou a cair o céu em cima de mim. A chuva era tamanha que quase não dava para ver a estrada. Pensei com meus botões “cacete, logo agora quejá paguei o pedágio”, suspirei e resolvi continuar em frente.
Segundo pedágio e a chuva firme e forte. Dai resolvi desencanar e me conformar que iria tomar o banho e segui meu caminho rumo ao parque.
Chegando lá, me dirijo a uma das áreas de coleta. Resolvi ir na mais distante primeiro, que fica depois de uma pirambeira. Resultado: é óbvio que o carro não passou pela lomba de lama e tive que deixar ele paradinho no meio do caminho e seguir o resto a pé. Cerca de 2 kilômetros de caminhada morro acima, debaixo de uma puta chuva, carregando frascos de álcool, pinças, filtros e potes. Quando cheguei na armadilha eu já era um pinto molhado, a volta só serviu pra confirmar.
O segredo nessas horas é pensar que tem gente que PAGA para ter esse tipo de aventura e eu estava fazendo tudinho de graça. E ainda perdi algumas calorias no percursos.
Beleza, a próxima armadilha ficava perto do caminho e tive que caminhar bem pouquinho na chuva e no mato. Tudo tranqüilo, mas a chuva não dava trégua. Quando voltei pro carro, até embaixo da capa de chuva tava molhado, eu parecia um desastre humano.
Mantendo sempre o bom-humor, toca pra terceira área de coleta, que fica fora do parque, numa fazenda das redondezas. Tudo tranqüilo, lama pra todo lado, a chuva começa diminuir. “Finalmente”, penso eu, acreditando que minha sorte estava mudando. Quase chegando na área, mais meia hora e pegaria a estrada de voltar para casa, quando ganho o grande prêmio. Isso mesmo, o carro atola. E sem jeito de sair.
Imaginem a cena: eu, uma GAROTA, sozinha no meio de uma imensa plantação de soja, chovendo, com o carro atolado.
Depois de bater com a cabeça no volante algumas vezes e gritar comigo mesma um bocado (vantagem de estar no meio do nada), resolvi continuar xingando enquanto caminhava até a sede da fazenda, cerca de 3 KILÔMETROS de onde eu estava. Pelo menos parou de chover.
Nessa hora vi as vantagens de fazer academia, porque cheguei na sede em meia hora.
Aleluia tinha alguém lá. Com um trator. Que resolveu me ajudar. Prontamente estava eu com mais um peão sacolejando dentro do trator mais chique que eu já vi na vida, com direito a ar condicionado e tudo. Rapidinho chegamos lá e tiramos meu carro do buraco, sem danos ou perdas. Feliz da vida, agradeci um monte e segui meu rumo.
Cheguei em casa totalmente suja de lama, os pés meio podres de tanto tempo na bota molhada, cansada, mas cheguei. E inteira. No final, sobrevivi para contar a história.
Tomei algumas decisões importantes depois de ontem: sempre levar muda de roupa e sapato extra quando for ao campo, nunca confiar quando a meteorologia disser ” tempo nublado com pancadas de chuva”, marcar mentalmente onde está o maldito atoleiro perto da área de coleta.
Fora isso, foi tudo normal. Devo ter perdido umas 1000 calorias nessa brincadeira. Depois de todo o nervoso que passei, ontem a noite eu era a pessoa mais zen da face da terra. Afinal, nada pior poderia acontecer… Pelo menos não no mesmo dia.
4 Responses to “Aventuras e desventuras”
By Phil Souza on Dez 9, 2007 | Reply
É contraditório achar que nada pior pode acontecer se você vez ou outra cita murphy e suas leis Ana…
Mas aventura foi boa. São coisas que realmente, tem gente que pagaria caro por isso e você faz de graça. Mas meteorologia eu já desisti de tentar entender….
By Ana on Dez 10, 2007 | Reply
É que eu sou uma eterna otimista.